| Coletiva de Imprensa : "O PASSADO"
Fotos : Rod Carvalho
O Diretor Hector Babenco e o ator Gael Garcia Bernal estiveram no Brasil para divulgação do filme O Passado. Segunda-feira, dia 22, eles estiveram no Rio de Janeiro para uma rápida coletiva de imprensa, no hotel Marina, no Leblon, seguida de uma pré-estréia à noite, no cinema Odeon, na Cinelândia.
Visivelmente cansados, devido ao corre-corre que passaram para divulgar o filme no “Festival de Cinema de São Paulo”, Babenco e Gael foram bastante solícitos para fotos antes de começar o rápido bate-papo com a imprensa. Além dos dois, a coletiva ainda contou com a participação das atrizes Anália Couceyro, Moro Anghileri e Ana Celentano.
As perguntas deferidas tanto ao diretor quanto ao elenco, em especial a Gael, foram relacionadas ao filme em questão e a futuros projetos no cinema.

Hector Babenco
Ao ser perguntando sobre como foi passar do universo violento de Carandiru para uma história de amor delicada em O Passado, Babenco riu e disse: “Sem dúvida nenhuma foi a oportunidade de sair do meio de uma bando de homens para estar cercado de mulheres bonitas e inteligentes”. Para o diretor, realizar um filme como esse foi muito prazeroso e um desafio por se tratar de uma transposição de um livro do escritor argentino Alan Pauls: “Foi um processo interessante. Alan deixou muito claro que não queria se envolver no filme. Um escritor nunca escreve um livro imaginando que ele poderá virar um filme. É como se um diretor fizesse um filme deixando elementos que pudesse haver uma continuação, ou uma versão para Broadway (risos). O filme era uma viagem minha sobre o livro. Ele me deu total liberdade para fazer o que eu quisesse. Mas eu, pontualmente, por uma necessidade minha, de vez em quando devido a alguma mudança grande em algo no roteiro, eu mandava pra ele. Eu o mantinha informado. Enfim, ele não participou de nada diretamente. Mas sempre que eu precisava de ajuda ele nunca me negava”.

Gael Garcia Bernal
Gael, apesar do cansaço, foi bastante simpático: “Gostei muito da experiência de trabalhar com diretores Brasileiros como o Walter Salles (Diários de Motocicleta), Hector Babenco (O Passado) e Fernando Meirelles (Ensaio sobre a Cegueira). Cada um tem uma personalidade diferente, ponto de vistas diferentes, mas a essência é a mesma. Essa é a magia do cinema. Tenho vontade de trabalhar com um diretor brasileiro aqui no Brasil”.
Além de estar divulgando o longa com Hector, o ator falou um pouco sobre a experiência de dirigir pela primeira vez um longa (Déficit): “Quando eu estava fazendo o filme, sentia que era algo para “gente grande”. Aceitar esse termo, "diretor", ainda me custa um pouco. A princípio, não quero ter uma carreira como diretor. Me sinto muito orgulhoso em ser ator. Por isso esse meu lado de diretor não é algo que quero investir no momento. Para dirigir tenho que ter uma necessidade muito orgânica. Além do mais, como diretor não se pode viver muitas vidas como sendo ator. Como ator sim, quero ter uma carreira profissional. Mas, sim, tenho uma idéias sobre um próximo projeto para dirigir. Mas prefiro não falar nada ainda”.
Devido ao pouco tempo para as perguntas só consegui fazer a minha no final. Perguntei a Bernal se ele já havia pensado, ou recebido alguma proposta, para fazer algum vilão. Bem mal. Algo bem diferente de seus personagens tipo galã: “Não, não tenho nada em vista. Ainda estou esperando um convite. Mas eu gostaria na verdade, seria muito bom. Sim. Um vilão. Agora, se não me chamarem logo, vou fazer algo para que definitivamente me vejam como vilão. Algum dia farei algo. Pela lei ou por outras maneiras. Cuidado! Concentrem-se. Cuidado! (risos)”.

Gael Garcia Bernal e Rod Carvalho |