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18.10.2009 - 19:14
Festival do Rio: Entrevista com a atriz e diretora Rie Rasmussen

Durante o Festival do Rio tive o prazer de entrevistar a atriz, diretora e roteirista dinamarquesa, Rie Rasmussen. Ela veio ao festival lançar seu primeiro longa, Human Zoo, no qual escreveu o roteiro, dirige e atua.

 

 

 

Cinetotal - “Human Zoo” é um filme bem violento, mas também muito interessante. De onde veio a idéia do roteiro e o que você queria mostrar para o público?

 

Rie - A idéia do roteiro veio da minha irmã que é vietnamita e foi adotada pelos meus pais. Sua mãe foi vendida para a prostituição em Moscou e ela conseguiu escapar. Nos a adotamos, mas tivemos muitos problemas devido as leis de adoção. Então, pensei em falar no filme sobre o “Human Zôo”, a prisão na qual vivemos. Os humanos estão atrás de grades, e as grades são as fronteiras entre os paises. Os sérvios, por exemplo, tem muito problema na hora de tirar um visto para qualquer lugar que queira ir por causa de crimes de guerra que muitos praticaram. Ou seja, por causa de algumas pessoas, a grande maioria é prejudicada sem ter feito nada. Se você for mulher no Afeganistão, realmente você vai estar numa situação muito difícil (risos). Muito diferente se você for mulher em Copenhague ou Dinamarca. Nesses países você tem uma estrutura social muito boa e um ótimo sistema de saúde. Então, é meu dever ajudar as pessoas entenderem...mesmo onde eu nasci, na Dinamarca, eu não tenho mais direitos do que qualquer outra pessoa no mundo para ter uma vida tranqüila, cheia de possibilidades. Você vê o que a China, por exemplo, fez com o Tibet. Um povo que agora sofre com escravidão e que nunca fez mal a ninguém, pelo contrário. Então, a idéia básica do filme é minha frustração com relação a isso.

 

 

Cinetotal - O filme possui um mesmo personagem em momentos diferentes e em épocas diferentes. Em certos momentos a trama fica um pouco confusa. Isso é proposital?

 

 

Rie - Sim. Esse não é filme grandioso para o público em geral. É um filme pequeno, com baixo orçamento, feito para pessoas que queiram ver algo diferente.Se eu quiser fazer um filme para o público comum, eu escreveria algo diferente. Eu escrevi esse para um público pequeno, por isso ele é pequeno. Ele é feito para pessoas que gostam de ser desafiadas. Ele é um pouco confuso sim, mas isso é feito para as pessoas realmente prestarem bastante atenção no que está sendo dito porque existem dois tempos nele, o presente e o passado. É como nos livros. Nos os lemos e voltamos muitas vezes para capítulos anteriores e de volta para frente. Eu amo livros, foi por causa deles que comecei a escrever. Então você pode escrever um filme como um livro. Eu começo ele por acaso no fim do segundo ato. A primeira cena do filme. Se alguém não gosta desse tipo de filme e só quer ver coisas do gênero de quem é o mocinho e quem é o bandido, esse não é um filme para ele.

 

Cinetotal -  Muitos atores que decidem dirigir e atuar no mesmo filme dizem que é exaustivo e, por causa disso, muitas vezes não conseguem dar o melhor de si na hora de atuar. Como foi pra você dirigir e atuar sendo a protagonista em dobro?

 

 

Rie - Para mim foi fácil porque em meus primeiros curtas eu já havia feito a mesma coisa (risos). Bom, o diretor é o primeiro no set. Então, eu como a atriz, estarei sempre na hora. A atriz é também a roteirista, por isso ela tem suas falas decoradas. Muito tempo é desperdiçado com atores que não decoram seus textos. Isso é uma vergonha. Então, fora isso também tem a questão financeira. Assim fica mais econômico pra mim. A atriz, diretor e roteirista só preciso fazer um pagamento! (risos). Assim sobre dinheiro para eu pagar o resto da equipe com tranqüilidade.

 

Cinetotal - Você consegue separar bem os momentos nos quais você é a diretora e nos que você é a atriz?

 

 

Rie - Totalmente. O legal nesse filme que tive que fazer um acento sérvio para a personagem. Então, quando falo sérvio eu sou Adria – personagem-. E quando eu falo inglês ou francês, sou a diretora (risos). Ela é muito diferente de mim. A personagem é bem quieta e na dela. Eu sou bem animada e cheia de energia (risos). Para alguém como Mel Gibson, por exemplo, que fez o Coração Valente (BraveHeart) – ele dirigiu e foi protagonista-, um filme maravilhoso e com uma atuação estupenda dele, acho que foi bem exaustivo. Ele é uma grande estrela, o filme tem muitas cenas de envolvimento físico, além de ser um grande filme. Isso é um grande desafio. Pra mim, um projeto pequeno é mais fácil de controlar.

 

Cinetotal - Algo que notei no filme, além da ótima direção e da ótima fotografia, que por acaso achei maravilhosa...

 

Rie - Ah, sabe quem foi o fotógrafo?Bom, no filme de Brian de Palma, Femme Fatale, no qual participei como atriz, Thierry Arbogast fez a fotografia, assim como em Angel-a, que fiz com Luc Besson. Ele é um fotógrafo maravilhoso. Foi uma honra tê-lo no meu filme. E ele trabalhou praticamente de graça.

 

Cinetotal - E a trilha sonora? Eu gostei muito dela. Como você escolheu as canções para as cenas?

 

Rie - Olha, estou muito, muito feliz que você esteja perguntando isso. Você foi o primeiro jornalista a me fazer essa pergunta. Maravilha. Olha, foi um grande amigo meu que fez. Ele já havia feito trilhas para outros trabalhos comigo. As músicas são tocadas apenas por ele e seu pai. Esse meu amigo tem uma banda de Hard rock e seu pai toca Blues com sua guitarra e canta também. Ah, ele nunca havia feito uma gravação na vida. Ele tem 55 anos. Ele me adora e resolveu entrar em um estúdio pela primeira vez por mim.

 

Cinetotal - Ele que escreveu as canções para o filme?

 

Rie - Sim! Escreveu especialmente para o roteiro. Quando eu havia terminado de filmar ele apareceu e me mostrou cinco canções que ele havia feito. Seu filho escreveu uma também. As restantes que aparecem no filme foram composta pela banda dele. Duas gerações tocando junto. Foi lindo.

 

Cinetotal - E qual será seu próximo projeto? Você já tem um?

 

Rie - Sim, claro. Na verdade tenho dois. Um é um filme futurista, que ainda levara muito tempo para desenvolver, tipo uns dois ou três anos. Outro é um filme de ação, engraçado, com uma mulher detonando!

 

Cinetotal - Nesse você também irá dirigir e atuar?

 

Rie - Bom, ainda não sei. Dirigi sim, mas atuar, de repente em um pequeno papel. Vai depender da minha saúde na época! (risos)

Rod Carvalho e Rie Rasmussen

Autor : Rod Carvalho
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