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28.01.2010 - 12:13
"Invictus "– a redenção do esporte

 

                                                                

 

Embora tenha a Copa do Mundo de Rugby de 1995 como pano-de-fundo, Invictus (Invictus) de maneira nenhuma pode ser entendido como um filme sobre esportes. O roteiro de Anthony Peckham narra a maneira como a equipe da África do Sul se sagrou campeã do torneio com o apoio do presidente recém-eleito, Nelson Mandela. Contudo, a verdadeira história a ser contada, aquela nas entrelinhas, fala de como o visionário Mandela se utilizou da modalidade para reconstruir o país fragmentado após anos de apartheid.

Para quem critica os esportes de massa, principalmente no Brasil que, segundo muitos, são ferramentas de alienação, o filme demonstra o lado benéfico dessa fixação da sociedade por uma modalidade esportiva. Lembrando que o mesmo já foi feito no País na Copa de 1970 durante a ditadura militar. No longa, essa atitude era mais do que necessária, tendo em vista que os brancos não aceitavam muito bem a vitória de Mandela nas urnas e, por sua vez, esperavam do presidente uma espécie de “vingança” contra o crimes cometidos durante o apartheid.

Clint Eastwood foi o diretor escolhido para dar vida a esta história e, para isso, ele precisou sair de sua “zona de conforto”, os Estados Unidos. Isso porque até então seus filmes retratavam o modo de vida americano. Não aquele estereotipado das casinhas de cerca branca, mas as pequenas nuanças que revelavam a verdadeira América (Cartas de Iwo Jima não é sobre a população norte-americana, mas ainda assim está dentro do contexto da Segunda Guerra). Eastwood trabalhou de maneira magistral os símbolos norte-americanos como as guerras, a NASA, os subúrbios (de maneira complexa e sombria). Em “Invictus”, o diretor precisou expor uma nova cultura e a maneira que ele encontrou para tal foi focar-se no seu maior expoente, o ex-presidente Mandela. Isso sem transformar a produção numa biografia do líder, o que não era a proposta.

Se Clint Eastwood foi competente em desvendar a cultura africana, ele deve seu sucesso em grande parte ao ator Morgan Freeman, escolhido para viver Nelson Mandela. Mandela era um líder carismático e Freeman é um ator de carisma inigualável. Sendo assim, o papel “cai como uma luva” para ele. Sua atuação é tão precisa que já lhe rendeu alguns frutos como a indicação ao Globo de Ouro. Freeman também está cotado para o Oscar. Vale lembrar a última vez que ele e o Clint Eastwood se reuniram foi em Menina de Ouro, o qual rendeu Oscars a Freeman, Eastwood e Hilary Swank. Será que o raio cai duas vezes no mesmo lugar?!  
Autor : José Messias
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