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Por mais estranho que possa parecer, o percurso que Guerra ao Terror (The Hurt Locker) fez no Brasil foi seguinte: lançando em DVD ainda no início de 2009, ele chegou às salas de exibição alavancado pelas indicações e prêmios recebidos em festivais de cinema. Dentre os quais, as mais recentes foram as nove indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor ator. Para quem pensava que a guerra do Iraque já havia sido explorada de todas as maneiras possíveis e imagináveis no cinema, este filme consegue adicionar mais algumas questões a discussão. A trama gira em torno de uma espécie de “esquadrão anti-bomba” do exército norte-americano, do qual os personagens centrais fazem parte. Daí o título em inglês, “The Hurt Locker”, que é uma gíria dos soldados para uma situação de perigo elevado e imprevisível, ou seja, o maior risco possível. Levando em conta que os personagens desarmam bombas no Iraque, onde qualquer pessoa pode ser um insurgente em potencial, uma vez que terroristas não usam uniforme. Esta, sem dúvida, é uma realidade de medo constante e um dos maiores méritos da direção de Kathryn Bigelow, pois, transportar esse sentimento de insegurança para o espectador ao longo da projeção não é tarefa fácil.
A guerra, diga-se de passagem, o “esporte” mais apreciado pela humanidade, foi retratada um sem número de vezes em todas suas cores, formas, tamanhos e sons, muitas delas até a exaustão do público. Só os norte-americanos, verdadeiros especialistas no assunto, já fizeram mais filmes sobre o tema do que o número de batalhas em que participaram. Lembrando que ingleses, russos e alemães também possuem uma cota considerável de produções. Em meio a esse contexto de dor, medo, luto, patriotismo, apologia e até glamour, o longa da californiana Bigelow se insere de forma a assimilar toda essa carga anterior da vasta filmografia norte-americana para produzir um novo relato, ainda que ficcional, da confusa dinâmica de um campo de batalha. “Guerra ao terror” trata da relação peculiar do protagonista, o sargento William James, e dos demais personagens, com a guerra. E como esta situação pode afetar de maneira drástica, e até surpreendente, a vida de alguém. O roteiro de Mark Boal, que também escreveu “No Vale das Sombras” (In the Valley of Elah) – também sobre a guerra e suas conseqüências – mostra facetas tão variadas do conflito e apresenta os fatos de forma tão crua e impactante que fica fácil entender o fascínio da Academia por esta produção. |