|

Um filme, muitas vezes, pode não ser necessariamente divertido ou fácil de ser digerido, mas, em muitos casos, temos que dar o braço a torcer que a experiência de tê-lo assistido foi válida. A história de uma menina negra, gorda, moradora do Harlem em Nova York, que apanha da mãe e é violentada pelo pai, com certeza não parece ter nada que valha a pena ser apreciado. Mas, por incrível que parece, tem.
Preciosa (Precious), o novo drama do diretor Lee Daniels, não tenta amenizar em nada a realidade na qual a protagonista está inserida. Todo o calvário que a jovem passa, seja em casa, na rua ou na escola, são mostrados ao público de forma seca e direta, sem preocupação de poupar certos olhares da realidade que muitos tentam esconder. Mesmo sendo um filme realizado nos EUA, essa história se encaixa perfeitamente em qualquer outro país do mundo. Claro, cada qual com suas devidas proporções. Não é fácil digerir muitas cenas, mas isso que é o mais interessante. O tal incomodo surge devido tamanha veracidade com a qual elas foram feitas. Resultado da bela direção de Daniels e das interpretações magníficas dos atores, com destaque para Gabourey Sidibe – Precious- e Mo´Nique- Mary-. Até Mariah Carey, que interpreta Mrs. Weisss, uma trabalhadora do serviço social, está muito boa.
Sei que muita gente deve pensar porque deveria “perder” tempo vendo um longa como esse, já que a vida não está fácil para ninguém, e isso não é novidade. Tanta notícia ruim que vemos na tv e nos jornais que até entendo o pensamento se direcionar para esse lado. Mas, sinceramente, para quem gosta muito de cinema, Preciosa não pode sofrer do mesmo mal que ela condena. |