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Retratar um drama familiar requer doses extras de talento e esforço por parte de um diretor, isso porque o menor dos deslizes pode transformar a trama num folhetim novelesco. Mesmo sem esse cair no ar exagerado dos dramalhões mexicanos (ou mesmo os brasileiros), longas sobre famílias são arriscados porque já existem milhões deles mundo a fora o que torna mais difícil produzir algo que realmente cative o público. Isso sem contar a “fórmula” que a maioria deles emprega: o filho favorito, a ovelha negra, pai abusivo, mãe ausente, alcoolismo, traições, delinqüência etc. Fugir disso exige mais algumas doses cavalares de talento e inventividade. Dentro deste contexto, Entre irmãos (Brothers) já começa com certa desvantagem por ser o remake de uma produção dinamarquesa. A idéia de “americanizar” um filme não é nova e costuma ser destinada àquelas obras de certa qualidade cinematográfica e algum reconhecimento da crítica, muitas das quais não faladas em inglês – lembrando que as platéias norte-americanas não são muito chegadas as legendas. Ou seja, exatamente o caso do original “Brødre”, que chegou a ser exibido no Brasil na Mostra de São Paulo.
A família em questão são os Cahill, da qual fazem parte os irmãos Sam (Tobey Maguire) e Tommy (Jake Gyllenhaal), o primeiro militar e o outro ex-detento. A dinâmica dos Cahill se altera quando Sam desaparece no Afeganistão e é dado como morto. Tommy aparece para confortar a esposa do irmão, Grace (Natalie Portman) e um romance quase se inicia entre os dois. No entanto, após meses desaparecido Sam retorna para casa, mas ele está mudado pelas torturas que sofreu nas mãos dos insurgentes afegãos. Originalidade a parte, o longa se sustenta em seu bom elenco, sobretudo a dinâmica entre os três protagonistas e as atrizes-mirins que interpretam as filhas do casal Cahill, Bailee Madison e Taylor Geare. Tobey Maguire como o soldado traumatizado é o retrato do desespero e das profundas marcas causadas pelos horrores da guerra. Neste sentido, Entre irmãos, – mesmo não tendo a guerra como foco, mas apenas como pano de fundo –, se torna um complemento ideal a realidade apresentada em Guerra ao terror, os dois lados nada agradáveis da mesma moeda. |