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12.07.2008. - .14:42
Mostra JOSÉ DUMONT no CCBB de 22/07 a 3/07]]

CCBB apresenta

JOSÉ DUMONT, O HOMEM QUE VIROU CINEMA!

Um painel do cinema nacional a partir de homenagem inédita a um dos mais talentosos atores do Brasil.

de 22 de julho a 3 de agosto


A mostra JOSÉ DUMONT, O HOMEM QUE VIROU CINEMA! reúne os 20 filmes mais relevantes da carreira do ator (ele já atuou em 44), que são, também, obras relevantes dentro do panorama do cinema brasileiro nos últimos 30 anos: Morte e Vida Severina, A Hora da Estrela, Memórias do Cárcere, Gaijin, Abril Despedaçado e o mais recente 2 Filhos de Francisco.

Um dos mais importantes filmes de sua carreira, O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade, será exibido em cópia nova e restaurada. O filme de 1981 gerou dividendos para José Dumont, que abocanhou o prêmio de melhor ator nos festivais de Gramado, Brasília, Huelva e ainda o prêmio da Air France.

Os filmes:
1. A Hora da Estrela, de Suzana Amaral (Brasil, 1985)
2. Abril Despedaçado, de Walter Salles (Brasil, 2001)
3. Árido Movie, de Lírio Ferreira (Brasil, 2005)
4. Até a Última Gota, de Sérgio Rezende (Brasil, 1980)
5. Avaeté - Semente da Vingança, de Zelito Viana (Brasil, 1985)
6. Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco (EUA, 1991)
7. Cidade Baixa, de Sérgio Machado (Brasil, 2005)
8. Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira (Brasil, 2005)
9. Gaijin - Os Caminhos da Liberdade, de Tizuka Yamasaki (Brasil, 1980)
10. Kenoma, de Eliane Caffé (Brasil, 1998)
11. Maria, Mãe do Filho de Deus, de Moacyr Góes (Brasil, 2003)
12. Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos (Brasil, 1984)
13. Minas - Texas, de Carlos Alberto Prates Correia (Brasil, 1989)
14. Morte e Vida Severina, de Zelito Viana (Brasil, 1977)
15. Narradores de Javé, de Eliane Caffé (Brasil, 2003)
16. Onde Anda Você?, de Sérgio Rezende (Brasil, 2004)
17. O Baiano Fantasma, de Denoy de Oliveira (Brasil, 1984)
18. O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade (Brasil, 1979)
19. Tigipió – Uma Questão de Amor e Honra, de Pedro Jorge de Castro (Brasil, 1986)
20. Tudo Bem, de Arnaldo Jabor (Brasil, 1978)


Além dos filmes, a mostra oferece ao público a oportunidade de ficar em contato direto com o ator, no debate “José Dumont: 30 anos de Cinema Brasileiro” (sexta, 25/07), com a presença de José Dumont, do professor e pesquisador Hernani Heffner e do cineasta Zelito Vianna.

José Dumont é mais que um símbolo do cinema nacional. Premiado três vezes com o Kikito de Melhor Ator em Gramado, três vezes vencedor do Candango no Festival de Brasília, escolhido melhor ator em 1999, pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte, premiado também em Havana, Miami, Recife e Rio de Janeiro.


O ARTISTA
Toda esta história começou há muitos anos, depois que o rapaz nascido na Paraíba migrou para São Paulo e descobriu a arte de representar. A arte estava desde cedo impressa na vida de José Dumont. Foi ouvindo o cordel e relacionando o som com a palavra escrita no livreto que ele aprendeu a ler sozinho. Foi lendo alto o Novo Testamento para o avô e seus amigos que percebeu que gostava de imaginar aventuras e dar vida a outras pessoas. Foi o palco de um teatro que o revelou para o cinema.

Filho de Severino e Maria Porpino, nascido em Belém do Caiçara, no sertão da Paraíba, José Dumont perdeu a mãe cedo, vítima de parto de uma de suas irmãs. Viu o pai migrar para João Pessoa e foi criado pelo avô, Joaquim, de quem não herdou o sobrenome Batista.

Desde cedo José Dumont aprendeu a lidar com a precariedade e poucos recursos, mas isso não foi impedimento para que sua infância fosse rica e prazerosa: “passei a minha infância onde se passa a melhor infância: nela mesma. Se você não tem muitos recursos materiais, você passa essa fase da vida na imaginação. Para mim, o que era bonito era a vida florescendo a partir das imagens”, diz o ator no livro José Dumont, do Cordel às Telas, do jornalista Klecius Henrique. A obra ilustra bem o modo como este paraibano desde cedo já trabalhava sua identificação com o cinema, mesmo que de maneira inconsciente.

Aos seis anos de idade, José Dumont aprendeu a ler sozinho: “eu ficava observando, ouvindo o cordel e comparava. Se o cara falava ‘batata’ associava a imagem ao que estava sendo dito. Fui soletrando e descobrindo que o que dizia correspondia ao que estava escrito aqui”. O primeiro palco do futuro ator foi a casa do avô. Logo começou a ler novenas e o Novo Testamento para o avô e os vizinhos, que iam próximo ao pé do morro onde seu Joaquim e o neto moravam.

A história do nome
Por habitar uma casinha no sopé da montanha, seu Joaquim Batista era conhecido como Joaquim do Monte. O pai de José Dumont, que não era batizado, era chamado por todos de Severino do Monte. E foi dele que acabou nascendo o sobrenome Dumont. A história é maravilhosa e tem alimentado ainda mais o encantamento em torno de José Dumont: quando seu Severino foi se alistar no exército, um tenente arrogante achou que ele não sabia pronunciar corretamente o próprio sobrenome. Como era possível alguém se chamar Severino do Monte? O oficial, então, tacou Dumont no documento. A partir daí, todos os seus filhos nasceram Dumont e não, Batista. O causo teria agradado Guimarães Rosa.

Muito jovem José Dumont tentou ingressar na Marinha Mercante. Queria conhecer o mundo. Não conseguiu. Mudou-se para São Paulo e trabalhou na Fábrica Progresso, nos Correios e numa fábrica de moinhos. Foi lá que descobriu a arte de representar, aos 25 anos de idade, quando se envolveu numa peça de Eduardo Campos, dirigida por Haroldo Serra, que falava da periferia de Fortaleza, O Morro do Ouro.

O cinema viria pelas mãos de Zelito Viana. Após acompanhar um especial para TV escrito por Gianfrancesco Guarnieri, o cineasta resolveu chamar José Dumont para estrelar, ao lado de Jofre Soares e Stênio Garcia, o filme Morte e Vida Severina. O ator tinha então 27 anos e mudava-se para o Rio de Janeiro, onde acreditava que conseguiria muito trabalho e sucesso.

Morou numa pensão no Catete e passou um ano difícil depois do filme de Zelito. Voltou a aparecer nas telas em participações pequenas como as de Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia de Hector Babenco, Se Segura Malandro de Hugo Carvana, e, depois, como Piauí no filme de Arnaldo Jabor, Tudo Bem. Este personagem rendeu a Dumont um inesquecível elogio de Paulo Gracindo: “esse menino vai ser um dos maiores atores do Brasil”. Mais que elogio, a frase se revelou um prognóstico.


Programação, serviço, sinopses:


Programação: 22/07 a 03/08 – cinema CCBB Rio

22/07, terça-feira
17h – Até a última gota (70 min.)
19h – Brincando nos campos do senhor (189 min.)

23/07, quarta-feira
17h – Gaijin – Os caminhos da liberdae (112 min.)
19h – Tigipió – Uma questão de amor e honra (100 min.)

24/07, quinta-feira
17h – Coronel Delmiro Gouveia (90 min.)
19h – Kenoma (109 min.)

25/07, sexta-feira
17h – Árido movie (100 min.)
19h – Debate: José Dumont, 30 anos de cinema brasileiro, com a presença de José Dumont, do cineasta Zelito Vianna e do pesquisador e preservador-chefe da Cinemateca do MAM Hernani Heffner

26/07, sábado
17h – Morte e vida severina (85 min.)

27/07, domingo
17h – Cidade baixa (110 min.)
19h – Narradores de Javé (100 min.)

29/07, terça-feira
17h – O baiano fantasma (95 min.)
19h – Abril despedaçado (105 min.)

30/07, quarta-feira
17h – Narradores de Javé (100 min.)
19h – 2 filhos de Francisco (132 min.)

31/07, quinta-feira
17h – Minas-Texas (73 min.)
19h – Tudo bem (111 min.)

01/07, sexta-feira
17h – Avaeté – Semente da vingança (110 min.)
19h – O homem que virou suco (90 min.)

02/08, sábado
17h – Memórias do cárcere (185 min.)

03/08, domingo
17h – Onde anda você (103 min.)
19h – A hora da estrela (96 min.)

****

serviço:
JOSÉ DUMONT - O HOMEM QUE VIROU CINEMA!
de 22 de julho a 3 de agosto

Ingressos: Sala de CINEMA: R$6,00 meia R$3,00
www.bb.com/br

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro Rio de Janeiro RJ - CEP 20010-000
Funcionamento: De terça-feira a domingo das 10h às 21h.
Informações pelo telefone (21) 3808-2020

Assessoria de Comunicação;
Dr. Divago
Andréa Cals – 21 2265-7901 / 8203-7372
Liliam Hargreaves – 21  2286-6336 / 9136-0941

****
sinopses:
A Hora da Estrela, de Suzana Amaral (Brasil, 1985) Cor / 35 mm / 96 min
Baseado no romance de Clarice Lispector, conta a história de Macabéa, uma imigrante nordestina que vive em São Paulo e divide seu tempo entre a pensão miserável onde mora, o trabalho como datilógrafa numa pequena firma e o namoro casto e desajeitado com o metalúrgico Olímpico de Jesus.

Abril Despedaçado, de Walter Salles (Brasil, 2001) Cor / 35 mm / 105 min
Em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro, Tonho vive o dilema de vingar ou não a morte do irmão mais velho, assassinado por uma família rival. Angustiado pela perspectiva da morte, Tonho passa então a questionar a lógica da violência e da tradição.

Árido Movie, de Lírio Ferreira (Brasil, 2005) Cor / 35 mm / 100 min
Jonas é o repórter do tempo de uma grande rede de TV, que viaja de São Paulo rumo a sua cidade natal no sertão nordestino, para acompanhar o enterro do pai, assassinado inesperadamente.

Até a Última Gota, de Sérgio Rezende (Brasil, 1980) Cor / 35 mm / 70 min
Documentário sobre o tráfico de sangue humano no terceiro mundo

Avaeté - Semente da Vingança, de Zelito Viana (Brasil, 1985) Cor / 35 mm / 110 min
Um garoto indígena sobrevive ao massacre de sua tribo no centro-oeste do Brasil e cresce trazendo dentro de si o desejo de vingança e a busca da própria identidade.

Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco (EUA, 1991) Cor / 35 min / 189 min
Martin e Hazel Quarrier, missionários fundamentalistas, são enviados para a selva amazônica com o objetivo de converter os índios da região. Os dois dividem opiniões contrárias em relação aos nativos. Enquanto Hazel morre de medo dos indígenas, Martin se mostra fascinado por eles.

Cidade Baixa, de Sérgio Machado (Brasil, 2005) Cor / 35 mm / 110 min
Amigos de infância, Deco e Naldinho são proprietários de um pequeno barco de carga no litoral da Bahia. A amizade dos dois, no entanto, é profundamente abalada quando eles se apaixonam pela mesma mulher, Karinna, uma dançarina de strip tease.

Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira (Brasil, 2005) Cor / 35 mm /127 min
Francisco, lavrador pobre que vive no interior de Goiás e pai de vários filhos, sonha em criar uma dupla de cantores sertanejos. Para isso, não mede esforços. O filme é baseado na vida dos cantores Zezé de Camargo e Luciano.

Gaijin - Os Caminhos da Liberdade, de Tizuka Yamasaki (Brasil, 1980) Cor / 35 mm / 112 min
No início do século XX, um grupo de japoneses vem para o Brasil, para trabalhar em uma fazenda de café em São Paulo. Lá, os imigrantes encontram dificuldades para se adaptar, sendo tratados com hostilidade pelo patrão. Apenas alguns colonos os tratam bem, entre eles, Tonho, o contador da fazenda.

Kenoma, de Eliane Caffé (Brasil, 1998) Cor / 35 mm / 109 min
Jonas chega em Kenoma, um pequeno povoado nos confins do mundo, e permanece no local atraído pela jovem Tari. Entre os habitantes de Kenoma destaca-se Lineu, que se dedica há 20 anos à tarefa de construir uma máquina capaz de produzir constantemente sem necessidade de combustível: o moto-perpétuo.

Maria, Mãe do Filho de Deus, de Moacyr Góes (Brasil, 2003) Cor / 35 mm /107 min
Padre Marcelo Rossi narra para garota doente no interior do país a história da virgem escolhida por Deus para conceber Jesus.


Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos (Brasil, 1984) Cor / 35 mm / 185 min
Acusado de manter ligações com grupos de esquerda responsáveis pelo mal sucedido golpe de 1935, o escritor Graciliano Ramos é mandado para a prisão junto com outros presos políticos.

Minas - Texas, de Carlos Alberto Prates Correia (Brasil, 1989) Cor / 35 mm / 73 min
Em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Januária se prepara para casar com o tímido e ingênuo Amorim. Todavia, o que ela realmente deseja é fugir com o homem dos seus sonhos, o caubói Roy Pereira, e começar uma nova vida no Texas.

Morte e Vida Severina, de Zelito Viana (Brasil, 1977) Cor / 35 mm / 85 min
Na tentativa de escapar da miséria e da seca, que assolam o sertão nordestino, Severino decide ir até Recife, em busca de uma vida melhor.

Narradores de Javé, de Eliane Caffé (Brasil, 2003) Cor / 35 mm / 100 min
Com o intuito de impedir a construção de uma usina hidroelétrica, que inundaria toda a cidade, a população analfabeta da pequena Javé obriga o trapaceiro Antônio Biá a escrever um livro com a história do lugar. Os moradores, então, começam a lembrar - ou a inventar – grandes eventos e personalidades da cidadezinha.

Onde Anda Você?, de Sérgio Rezende (Brasil, 2004) Cor / 35 mm / 103 min
Um velho e decadente comediante viaja de São Paulo até o interior do nordeste em busca de um novo parceiro.

O Baiano Fantasma, de Denoy de Oliveira (Brasil, 1984) Cor / 35mm / 95 min
O paraibano Lambusca chega a São Paulo procurando um emprego, mas acaba se envolvendo com uma quadrilha que vende “proteção” em troca de dinheiro. Numa das cobranças, um homem morre e Lambusca passa a ser perseguido pela polícia, que o toma por assassino.

O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade (Brasil, 1979) Cor / 35 mm / 90 min
A polícia de São Paulo confunde Deraldo, um poeta popular recém-chegado do Nordeste,com Severino, um operário acusado de assassinar o próprio patrão a facadas.

Tigipió – Uma Questão de Amor e Honra, de Pedro Jorge de Castro (Brasil, 1986) Cor / 35 mm / 100 min
Cezário, ex-coronel de terras do Nordeste, trabalha agora em uma pedreira sob as ordens do engenheiro Heitor. Sua filha, Matilde, encontra-se às escondidas com Heitor e fica grávida. Heitor não propõe casamento nem assume o filho. Cezário arma uma bomba na pedreira e a faz explodir no momento em que os três estão novamente juntos.

Tudo Bem, de Arnaldo Jabor (Brasil, 1978) Cor / 35 mm / 111 min
Família de classe média acredita viver isolada do que acontece do lado de fora do seu apartamento, até a chegada dos operários encarregados de reformar o imóvel e transformar repentinamente a rotina familiar.



JOSÉ DUMONT, O HOMEM QUE VIROU CINEMA!
Centro Cultural Banco do Brasil
Data: 22 de julho a 03 de agosto de 2008

Autor : Rod Carvalho
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