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Garapa, de José Padilha, ficou em segundo lugar na competição de documentários do 31º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, realizado em Havana entre 3 e 13 de dezembro. O filme é fruto de mais de 45 horas de material filmado por uma pequena equipe que, durante quatro semanas, acompanhou o cotidiano de três famílias no estado do Ceará. À frente dessas famílias estão Rosa, Robertina e Lúcia – mulheres que, diante das condições mais adversas, buscam estratégias de sobrevivência.
O projeto de Garapa nasceu em meados de 2001, a partir de uma conversa entre José Padilha e Marcos Prado, amigos e sócios da produtora Zazen. “Tínhamos uma preocupação séria em relação a dois temas que gostaríamos de desenvolver: a questão da fome no Brasil e o problema global da escassez da água”, conta Marcos Prado. “Decidimos então fazer o documentário sobre a Fome”.
“Lendo os dados da ONU, do Ibase ou do IBGE, você pode aprender que milhões de pessoas no mundo e no Brasil sofrem de deficiência alimentar grave. Mas isto não significa que você tenha entendido o que é a fome crônica para quem luta contra ela no dia-a-dia. Garapa documenta a fome do ponto de vista de quem passa fome. O filme foi feito para que o público em geral possa ter uma idéia do impacto que a insegurança alimentar grave tem na vida das pessoas que estão nesta situação”, afirma Prado. |